Ativistas brasileiros, de São Carlos, SP, se mobilizam no Frydays for Future

A estudante brasileira do terceiro ano do ensino médio no município de São Carlos, no interior paulista, Gabriela Amaral Arias, ao completar 18 anos,  já tem muita história para contar sobre sua militância socioambiental, que tem como fonte de inspiração a história e ações da jovem sueca Greta Thunberg, 16 anos, precursora do movimento “Fridays for future” (Sextas-feiras pelo Futuro) também popularizado como “greves climáticas”, que ganhou milhares de vozes pelo mundo. A mensagem principal expressa é a de uma luta pacífica por um planeta com energia renovável e limpa, sem desmatamento e com justiça socioambiental.

Gabriela Arias, do movimento Fridays for Future, em São Carlos, Brasil

Foto: arquivo pessoal/Gabriela Arias

Gabriela e outros milhares de manifestantes, de diferentes gerações, pretendem dar o seu recado nesta sexta-feira em uma Mobilização Global pelo Clima, estimada em mais de 130 países, que se estenderá em ações até 27 de setembro (veja também Setembro climático: agenda vai do campo das negociações internacionais às mobilizações nas ruas).

“O principal objetivo de nosso grupo, aqui em São Carlos, é alertar sobre o que está acontecendo com o nosso clima e com nossas florestas. Muita gente não tem noção. A gente faz mobilização às sextas e muitos vêm nos perguntar se existe Aquecimento Global, porque nunca teve um movimento tão grande, neste sentido. Isso causa admiração pela maioria, mas também dúvidas em outras pessoas, porque ainda é um tema pouco discutido”, avalia Gabriela. Ela conta que o movimento na cidade começou há uns três meses, com a iniciativa do jovem Murilo que se sentou em frente à Câmara Municipal, com cartazes, trazendo o assunto para reflexão. Mas a maior ferramenta que utilizam é a do diálogo, segundo ela.

De acordo com a jovem estudante, quando se está no quinto ano do Fundamental, já se estuda Aquecimento Global. “Mas geralmente o aprendizado fica só no livro. E aí, ninguém vai fazer alguma coisa? A gente quer incentivar as mobilizações, porque ainda dá tempo. A gente quer provar para os governos, para o mundo, que a gente não vai deixar acabar com a nossa floresta amazônica. A gente defende os direitos dos indígenas, o nosso direito, da biodiversidade que existe nela, o clima”, diz Gabriela. E destaca – “No Brasil, é onde se mata mais ativistas ambientais no mundo e isto não está certo”, considera.

Júlia Berlin é ativista do Fridays for Future, no Brasil

Foto: arquivo pessoal/Júlia Berlin

Para a engenheira de produção Júlia Berlin, 26 anos, que também integra o grupo, a sua familiarização com a questão das mudanças climáticas começou com pesquisas em internet. “Aí aguçou minha curiosidade e comecei a correr atrás e me informar. Hoje eu me considero ativista pelo clima, pela natureza, contra todos os tipos de poluição”, afirma. A ativista também faz parte de outras iniciativas. “O que nos move é o senso de urgência. Antes se falava que a sustentabilidade era um problema de nossos filhos e de nossos netos. Mas o que vemos, é que é um problema de todos nós. Quanto mais jovem a gente é, tem certeza que vai ser impactado pelo avanço das mudanças climáticas e pela destruição do meio ambiente. Temos de informar o mundo para que todos tenham esta conscientização”, diz..

Da resistência ao pertencimento

“Quando eu era mais nova, eu tinha um bloqueio, quando via qualquer matéria sobre o desmatamento do meio ambiente e sobre os problemas que os indígenas enfrentavam na demarcação de suas terras. Ficava triste, e chorava. Então, eu quis parar de ver tudo isso. A minha motivação para defender o meio ambiente e o clima veio quando li um dia uma matéria sobre a Greta Thunberg no jornal, em defesa do clima. Achei que teve muita coragem e depois fiquei sabendo do movimento aqui em São Carlos, que estava no começo. Logo aderi, consegui forças para lutar e agora vou atrás das informações”, conta Gabriela.

“Sobre a Greta, eu sinto por ela admiração e orgulho, pois faz parte da minha geração. Ela é uma menina de 16 anos, que começou tudo isso sozinha, quando tinha 15 anos, sentada com cartazes, estudando muito. Ela é muito inteligente. E a sua iniciativa ganhou o mundo”, fala a jovem estudante brasileira.

A estudante sueca, que foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz, já está nos EUA, desde o final de agosto, para participar das mobilizações e dos eventos oficiais pelo clima, do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Uma de suas iniciativas recentes foi em uma mobilização em frente à Casa Branca, em Washington, no dia 13 de setembro.

Para Gabriela, algo que chama atenção em Greta, é que luta com a inteligência. “Ela sabe muito sobre o que está fazendo, é admirável”, considera. Segundo ela, no movimento que participa em São Carlos, a maioria dos participantes são jovens do ensino médio. “É a nossa primeira experiência de manifestações (pacíficas). A gente aprende muito buscando orientações com professores e educadores, tendo foco. É uma experiência muito boa e bonita”, diz.

A jovem estudante analisa que aqui, no Brasil, a mobilização do “Fridays for Future” começou um pouco ‘atrasada” em comparação com o restante do mundo. “Mas estamos ganhando muita força ultimamente por causa do chamamento para a greve mundial climática, no próximo dia 20”, considera.

Sobre a 350.org Brasil e a causa climática

A 350.org é um movimento global de pessoas que trabalham para acabar com a era dos combustíveis fósseis e construir um mundo de energias renováveis e livres, lideradas pela comunidade e acessíveis a todos. Nossas ações vêm ao encontro de medidas que visem inibir a aceleração das mudanças climáticas pela ação humana, que incluem a manutenção das florestas.

Desde o início, trabalha questões de mudanças climáticas e luta contra os fósseis junto às comunidades indígenas e outras comunidades tradicionais por meio do Programa 350 Indígenas e vem reforçando seu posicionamento em defesa das comunidades afetadas por meio da campanha Defensores do Clima.

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Sucena Shkrada Resk – jornalista ambiental, especialista em política internacional, e meio ambiente e sociedade, é digital organizer da 350.org Brasil

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